A Secretária de Estado para a Família e Promoção da Mulher, Alcina Kindanda, reafirmou, nesta sexta-feira, em Luanda, a importância da voz, do profissionalismo e da coragem das mulheres jornalistas na denúncia de práticas prejudiciais às mulheres e no combate à violência baseada no género.
“A nossa sociedade precisa da vossa voz, do vosso profissionalismo e da vossa coragem para combater o silêncio, transformar normas prejudiciais, proteger as mulheres, valorizar as jornalistas e construir uma sociedade onde nenhuma mulher ou rapariga tenha de viver com medo”, afirmou a governante.
Alcina Kindanda falava no acto de abertura do Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade no Género, realizado no Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM), sob o tema “O Papel da Mulher Jornalista no Combate às Normas Prejudiciais para as Mulheres e à Violência Baseada no Género”.
Segundo a Secretária de Estado, os órgãos de comunicação social devem assumir uma abordagem permanente sobre questões relacionadas com a igualdade de género e não limitar a sua cobertura aos momentos em que determinados casos ganham maior visibilidade pública.
“Precisamos de uma comunicação social que não aborde temas como estes apenas quando ocorre um caso mediático. A igualdade de género, a violência baseada no género, os casamentos forçados, os direitos das mulheres e o combate aos estereótipos devem fazer parte da agenda diária dos órgãos de comunicação social”, defendeu.
A governante destacou igualmente o papel das mulheres jornalistas enquanto agentes de transformação social, por contribuírem para dar visibilidade a realidades que permanecem ocultas e levar ao espaço público as experiências vividas por mulheres nas comunidades.
“As mulheres jornalistas são profissionais de comunicação, mas, por intermédio do seu trabalho, são também agentes de transformação social, dando visibilidade a realidades que permanecem escondidas, levando para o espaço público as experiências das mulheres nas comunidades e contribuindo para a mudança de comportamentos”, sublinhou.
Ao abordar a cobertura jornalística de casos de violência, Alcina Kindanda apelou aos profissionais de comunicação social para que tenham especial atenção à dignidade e à privacidade das vítimas, evitando práticas que possam resultar na sua revitimização.
A responsável reconheceu, igualmente, que as próprias mulheres jornalistas enfrentam desafios específicos no exercício da profissão, sobretudo quando trabalham na cobertura de matérias relacionadas com violência, género e direitos humanos.
A Secretária de Estado considerou ainda que Angola possui uma grande riqueza cultural que deve ser valorizada e preservada. No entanto, alertou para a necessidade de distinguir entre práticas culturais que devem ser protegidas e aquelas que podem colidir com os princípios da dignidade humana, da igualdade e dos direitos fundamentais.
“Angola possui uma grande riqueza cultural que devemos valorizar e preservar. Contudo, devemos reconhecer que nem todas as práticas transmitidas ao longo do tempo são necessariamente compatíveis com os princípios da dignidade, igualdade e direitos humanos que a sociedade defende”, afirmou.
Por sua vez, o Secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Ângelo Miguel Buta João, considerou que o tema do fórum reveste-se de elevada importância, quer pela sua actualidade, quer pelo papel que a mulher desempenha na sociedade angolana.
Segundo o governante, a intervenção da mulher tem particular relevância na formação do homem, na promoção da harmonia familiar e no desenvolvimento económico e social das comunidades.
“Em todo o mundo, e nos mais diversos contextos e níveis sociais, as questões ligadas ao género, para além de serem centrais nas sociedades, continuam actuais e apresentam grandes desafios”, afirmou.
O fórum, organizado por mulheres jornalistas, reuniu profissionais da comunicação social e convidados, tendo como propósito promover a reflexão sobre o papel da mulher jornalista na promoção da igualdade de género, na prevenção da violência baseada no género e na desconstrução de normas e estereótipos prejudiciais às mulheres e raparigas.