Directores pedagógicos e outros responsáveis pela formação, provenientes de unidades hospitalares das 21 províncias do país, encontram-se em Portugal, desde 29 de Agosto, onde participam numa formação teórico-prática.
O objectivo, de acordo com uma nota de imprensa, é aprofundar conhecimentos sobre diagnóstico de necessidades, planificação, gestão, acompanhamento e avaliação de projectos de formação em saúde.
A iniciativa enquadra-se no Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (PFRHS), financiado pelo Banco Mundial e implementado pelo Ministério da Saúde, através do Instituto de Especialização em Saúde (IES), por intermédio da Unidade de Implementação do PFRHS (UIP-PFRHS), que prevê a formação de 38 mil profissionais de saúde até 2028.
A formação procura reforçar não apenas a preparação dos profissionais de saúde, mas também a capacidade das instituições para identificar necessidades, organizar processos formativos, acompanhar o desempenho dos formandos e avaliar os resultados alcançados.
Para Flaviano Garcia Za Nzambi, director Pedagógico do Instituto Hematológico, os conhecimentos adquiridos têm aplicação directa no trabalho desenvolvido pelas estruturas pedagógicas.
“A formação tem uma aplicabilidade directa no exercício das nossas funções. Estamos a trabalhar o diagnóstico das necessidades institucionais, a definição de critérios de formação, a planificação e a avaliação, ferramentas que poderemos levar para as nossas instituições”, afirmou.
O responsável defende que os conhecimentos adquiridos deverão ser disseminados no regresso a Angola, contribuindo para uma abordagem mais estruturada da formação de médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica e outros profissionais de saúde.
No Hospital Comandante Raul Díaz Argüelles, no Cuanza Sul, a Direcção Pedagógica acompanha actualmente 85 médicos internos, 134 enfermeiros internos e cerca de 130 técnicos de diagnóstico e terapêutica, segundo a Directora Pedagógica da instituição, Sónia da Silva, médica ginecologista-obstetra.
A responsável considera que a formação realizada em Portugal poderá contribuir para melhorar a organização, o acompanhamento e a avaliação dos processos formativos. “Estamos a adquirir conhecimentos que serão importantes para regressarmos às nossas unidades e implementarmos as actividades de formação de forma mais estruturada. Há uma grande expectativa dos profissionais e dos formandos”, explicou.
Formação acompanha expansão hospitalar
Para Gade Miguel, director Científico do Complexo Hospitalar de Doenças Cardiorrespiratórias Cardeal Dom Alexandre do Nascimento (CHDCP), o investimento na formação deve acompanhar a expansão e modernização da rede sanitária nacional.
“O país vem ganhando diversas infra-estruturas hospitalares, muitas delas de alta complexidade. Esse investimento deve ser acompanhado pela formação diferenciada dos profissionais que vão assegurar o seu funcionamento”, afirmou.
O responsável destacou os avanços registados em áreas de elevada diferenciação, incluindo a cirurgia cardíaca pediátrica, salientando que, em cerca de dois anos de actividade, foram realizadas aproximadamente 300 cirurgias em crianças, paralelamente ao reforço da formação de especialistas nesta área.
Para Gade Miguel, o desafio passa agora por consolidar equipas multidisciplinares capazes de assegurar uma assistência cada vez mais segura, eficiente e humanizada.
No Hospital Central de Cabinda, o Director Pedagógico e Científico, Carlos de Nascimento Casimiro, destacou a responsabilidade crescente das estruturas de formação na organização e coordenação dos processos pedagógicos.
Além das actividades formativas do hospital, a estrutura acompanha a formação desenvolvida no polo de formação, que reúne profissionais de diferentes unidades e províncias. Actualmente, são acompanhados cerca de 260 internos, distribuídos por 38 especialidades.
“Nós, para além de coordenarmos a actividade formativa do hospital, acabamos também por coordenar a actividade formativa a nível do polo de formação e, nesta altura, contamos com profissionais provenientes de outras províncias”, explicou.
Carlos de Nascimento Casimiro destacou igualmente a dimensão internacional do PFRHS, que tem permitido a profissionais angolanos prosseguirem a formação no exterior, nomeadamente em Portugal e no Brasil. “No âmbito do projecto de formação e em parceria com a UIP-PFRHS, temos colegas que estão a dar continuidade à formação no exterior do país, nomeadamente em Portugal e no Brasil.
Agora, nós, directores pedagógicos, também estamos a beneficiar desta formação e, no final deste processo, vamos sair todos daqui mais preparados para melhorar o nosso trabalho”, afirmou.
Conhecimento deverá ser multiplicado em Angola
A formação em Portugal assume, assim, uma dimensão que ultrapassa a experiência individual dos participantes. Ao regressarem ao país, os directores pedagógicos e responsáveis pela formação deverão aplicar os conhecimentos adquiridos nas respectivas instituições e contribuir para a transferência de competências entre as equipas.
A estratégia pretende garantir que o investimento realizado na formação no exterior produza efeitos duradouros no Sistema Nacional de Saúde, através da melhoria dos mecanismos de diagnóstico, planificação, acompanhamento e avaliação dos processos formativos.
Neste modelo, os profissionais formados tornam-se agentes de transferência de conhecimento, fortalecendo as estruturas pedagógicas e científicas das unidades hospitalares.
A formação integra a componente de cooperação internacional do PFRHS, que tem permitido a profissionais angolanos frequentarem programas de formação e especialização em diferentes áreas e instituições de referência, com destaque para Portugal e Brasil.
A aposta visa, deste modo, transformar a formação de recursos humanos em capacidade institucional, contribuindo para mais profissionais qualificados, instituições mais preparadas e melhores cuidados de saúde para a população angolana.