O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, afirmou, nesta terça-feira, em Londres, Reino Unido, que a estratégia energética de Angola está alinhada com uma visão africana mais ampla.
Diamantino Azevedo que discursava, na abertura da Cimeira de Energias de África, na capital britânica, referiu que Angola reforçou o foco estratégico no gás natural como pilar da industrialização, segurança energética e diversificação económica.
Anunciou, citado numa nota de imprensa da Embaixada de Angola no Reino Unido, que um novo consórcio foi criado para desenvolver recursos de gás não associado e já transitou para a execução operacional com o arranque dos campos de Quiluma e Maboqueiro, marcando o início da produção de gás não associado em Angola.
Além da geração de energia e do gás liquefeito (LNG), disse que "neste contexto, o país está a avançar no desenvolvimento de uma fábrica de amoníaco e ureia para apoiar a produção nacional de fertilizantes e as cadeias de valor agrícolas”.
O ministro dos Recursos Minerais Petróleo e Gás enfatizou, também, que, paralelamente, Angola está a trabalhar no desenvolvimento de uma indústria siderúrgica em que o gás natural desempenhará um papel fundamental como agente redutor, a par dos recursos de minério de ferro do país, contribuindo para uma transformação industrial mais profunda.
Declarou, igualmente, que o Plano Director do Gás, aprovado em 2024, proporciona um quadro abrangente para o desenvolvimento sustentável deste sector, com um forte foco na transformação industrial, na criação de emprego e no valor acrescentado.
Por outro lado, Diamantino Azevedo salientou que apesar de ser um grande país produtor de petróleo, Angola importa aproximadamente 70% das necessidades de gasolina e gasóleo, revelando um desequilíbrio estrutural no seu sector a jusante.
Para enfrentar este desafio, explicou que o Executivo adoptou uma ambiciosa estratégia de expansão da refinação, incluindo o desenvolvimento de novas refinarias em Cabinda, Soyo e Lobito.
”Uma vez operacionais, estas instalações reduzirão a dependência das importações e posicionarão Angola como um exportador líquido regional de produtos petrolíferos refinados, contribuindo para a segurança e integração energética africana”, sublinhou.
Capital humano
Neste particular, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás avançou que, além das infra-estruturas, o país continua a investir no capital humano e na inovação, contando com uma forte rede de instituições técnicas e universidades, que apoia o desenvolvimento de competências em engenharia petrolífera, tecnologias industriais e sistemas energéticos
. Quanto ao ciclo de reformas do sector, referiu que o Governo desenvolveu um programa estruturado de rondas de licenciamento e gestão revitalizou a actividade a montante e reforçou a atractividade do sector, tendo como resultado a adjudicação de 72 blocos petrolíferos, dos quais 42 já estão sob contrato, reflectindo a confiança renovada na indústria de petróleo e gás de Angola.
Ressaltou, ainda, que o país manteve com sucesso a presença de todas as principais empresas petrolíferas internacionais que operam no território, ao mesmo tempo que atraiu e consolidou a participação renovada dos principais operadores globais, como a Shell e a Petronas, consolidando a estabilidade e previsibilidade do ambiente regulatório.
À margem do evento, o titular da pasta dos Recurso Minerais, Petróleo e Gás concedeu audiências a empresas TGS, Equinor, Shell e Energean, destaca a mesma fonte.
A delegação nacional chefiada por Diamantino Azevedo à Cimeira de Energias Africanas, de 12 a 14 de Maio, em Londres, o Embaixador de Angola no Reino Unido e Irlanda, José Patrício.
O evento, organizado pela plataforma multinacional Frontier, abre as portas e engloba ministros, reguladores, operadores, investidores e empresas de serviços de toda a África e do sector energético global durante três dias de negociação, estratégia e conexão de alto nível.
É aqui que as conversas se transformam em parcerias, investimentos e novas oportunidades, num fórum onde o futuro do sector energético de África é moldado.