O Grupo Carrinho informou, nesta ultima sexta-feira, ao mercado, através de uma nota enviada às redacções, que tomou a decisão de cessar, de forma definitiva, a importação de carne de porco congelada e vai garantir, doravante, o abastecimento exclusivo com a produção nacional.
Este resultado deve-se às acções da Carrinho Proteína, empresa do grupo responsável pelo fomento e desenvolvimento da produção pecuária.
De acordo com o documento, este marco representa um avanço histórico no caminho para a autossuficiência alimentar e da soberania económica, e reafirma o compromisso do Grupo com o desenvolvimento sustentável do país, consolidando a substituição de importações por oferta interna, com impacto directo na estabilidade do mercado.
Esta decisão só foi possível graças ao crescimento consistente da capacidade produtiva nacional, impulsio- nado pelo esforço colectivo dos agentes do sector, pela evolução das condições de produção e pela integração progressiva de produtores familiares e empresariais numa cadeia de valor mais organizada. Importa sublinhar, com clareza, que o Grupo Carrinho não produz carne de porco: fomenta e apoia o ecossistema produtivo através de assistência técnica, promoção de boas práticas, organização da cadeia e estímulo à ligação entre produtores e mercado. Todo o mérito deste marco pertence, em primeiro lugar, aos produtores angolanos que abraçaram o desafio de tornar Angola um país cada vez mais autossuficiente.
É oportuno recordar que, em momentos anteriores, o mercado enfrentou constrangimentos de oferta e variabilidade de condições que, por vezes, impuseram maior dependência externa. O contexto actual, entretanto, é substancialmente diferente: maior fiabilidade na produção, melhoria progressiva de práticas e padrões sanitários, reforço de capacidade e uma coordenação mais eficiente entre produtores, cooperativas, logística e distribuição. Estes factores garantem que não é mais justificável que Angola continue a importar carne de porco congelada quando possui capacidade crescente e comprovada para produzir internamente.
A competitividade da cadeia produtiva de suínos depende, em grande medida, do custo e da disponibilidade de ração, sobretudo milho e soja, que representam a maior parcela do custo de produção. O reforço da oferta nacional destas matérias-primas, com maior estabilidade de fornecimento e menor dependência de importações, contribui para uma estrutura de custos mais eficiente, reduz a pressão cambial e favorece maior previsibilidade de preços ao longo da cadeia, do produtor ao consumidor final.
Dados oficiais, recentemente divulgados, dão conta de que o país gasta mais de 300 milhões de dólares com importação de carne, incluindo porco.